Panorama da Piscicultura Brasileira em 2025 – Balanço
Em 2025, a piscicultura brasileira consolidou-se como um dos setores mais dinâmicos do agronegócio nacional, impulsionada principalmente pelo crescimento expressivo da tilapicultura e da produção de espécies nativas. Entre as espécies de maior expressão, destaca-se a tilápia (Oreochromis niloticus), uma espécie exótica e já estabelecida em nosso país e, enquanto entre as nativas figuram o tambaqui (Colossoma macropomum), o pacu (Piaractus mesopotamicus), o tambacu (híbrido entre as duas espécies anteriores), o pirapitinga (Piaractus brachypomus) e o pintado (Pseudoplatystoma corruscans).
Segundo o Anuário Peixe BR de 2025, a produção nacional de peixes de cultivo atingiu 968.745 toneladas em 2024, crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior (887.029 t). Nos últimos dez anos, o setor cresceu 51,8% (eram 638.000 t em 2015) com média de 4,7% ao ano, demonstrando avanço consistente e geração de emprego e renda a diversas famílias que dependem da atividade.
Tilapicultura: Importância e Crescimento
A tilapicultura segue sendo o principal motor da piscicultura nacional, representando 68,4% do total com 662.230 toneladas produzidas em 2024, um salto de 14,4% sobre 2023 (579.080 t). O volume da espécie mais que dobrou em uma década (285.000 t em 2015), consolidando a tilápia como espécie líder em produtividade e valorização comercial dentre as espécies não nativas.

Destaque Regional: Represa de Três Marias, Minas Gerais
Minas Gerais consolidou-se como terceiro maior produtor nacional, com 72,8 mil toneladas em 2024 (aumento de 18,2% em comparação a 2023), sendo a tilápia responsável por 68,7 mil toneladas desse total. O município de Morada Nova de Minas, principal polo mineiro na represa de Três Marias, produziu cerca de 20 mil toneladas/ano, representando 44,0% da produção estadual e 4,0% do volume nacional. A capacidade remanescente para produção de peixes no reservatório de Três Marias foi fixada em 20 mil toneladas/ano pela Portaria MPA nº 366/2024.
Produção de Espécies Nativas e Outras
Outras espécies de peixes de cultivo apresentaram alta de 7,5% (47.810 t em 2024 frente a 44.470 t em 2023), com destaque para as carpas (Cyprinus carpio, Hypophthalmichthys nobilis), jundiá (Rhamdia quelen), truta (Oncorhynchus mykiss) e pangasius (Pangasianodon hypophthalmus), consideradas espécies não nativas. Em contrapartida, os peixes nativos, como tambaqui, pacu, tambacu, pirapitinga e pintado, tiveram leve retração de 1,8% (258.705 t em 2024 frente a 263.705 t em 2023).
Infraestrutura e Exportações
O setor conta com mais de 780 mil viveiros e 75.346 tanques-rede em águas continentais, evidenciando a robustez da infraestrutura nacional. As exportações de tilápia, dobraram em volume, atingindo 12.463 toneladas e cresceram 138,0% em receita, somando US$ 55,7 milhões.
Desafios e Perspectivas
Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios como custos de insumos, necessidade de modernização das estruturas produtivas e questões ambientais relacionadas ao uso da água e sustentabilidade. A falta de integração logística e burocracia regulatória também limita o potencial de crescimento. Ainda assim, a expectativa é de novo aumento na produção em 2025, fortalecimento dos polos regionais, ampliação do mercado internacional e valorização tanto das espécies nativas quanto das não nativas, principalmente da tilápia.
A piscicultura brasileira em 2025 demonstra maturidade e capacidade de evolução, com a tilapicultura como protagonista e o tambaqui e pacu como destaques entre as nativas. Minas Gerais, especialmente a represa Três Marias, segue com um forte arranjo produtivo local, representado por Morada Nova de Minas. O comparativo anual da produção em todo o país reforça o dinamismo do setor, sinalizando consolidação das conquistas e ampliação das oportunidades em 2026, promovendo desenvolvimento sustentável e geração de valor para toda a cadeia produtiva.